Tempo I
Mesmo o irrevogável de um qualquer dia,
a agonizar no fim de uma tarde fria,
pode girar na alegre ciranda de uma noite
em que se aninham aquecidos os amantes
no perene gozo de um mágico instante.
Pares e ímpares medem o mesmo tempo
com ampulheta e astrolábio diferentes.
Tempo II
O tempo é coisa das mais estranhas.
Veja lá. O dia de ontem trás em si toda
a variada alvenaria dos demais dias já edificados,
pois de cada um sabe-se bem com que tijolos
as realidades foram levantadas.
O dia de amanhã é igual a todos que projetamos,
pois dele espera-se a idêntica porção do muito
que necessitamos e do pouco que sonhamos,
invertendo razões que valeriam a pena o que somos.
O agora é um retrato que esmaece sem demora
e nos escapa como uma enguia fria
pelos dedos finos do presente dia,
levando as horas em sua companhia.
O presente já foi futuro do passado; o agora,
exatamente o mesmo e completamente diferente
na menor fração do acaso,
acaba de mudar de estado.
Eliseo Martinez
12.07.16
MAGNÍFICO!
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