76.
O Erro de Aristóteles
Para o mais ilustre filho de Estagira,
a virtude está no equilíbrio do justo ponto
médio, entre extremos que o cercam.
Além de ser com razão e ócio
que se cria o mundo nosso.
Não há ente humano, sábio ou tolo,
que não deva algo a esse gigante macedônio.
No entanto, tendo a discordar
do mestre de Alexandre Grande
quando a tela do computador
- que, a folha de papel aposentou,
como a placa de argila, o papiro e o pergaminho
foram abandonados pelo caminho -,
insiste em permanecer vazia
na quietude de um dia ameno de domingo,
como se o vazio que enche o que me vai por dentro
vazasse e se espalhasse pelo espaço
em que, pela força do hábito,
tento achar-me, mesmo com a alma,por hora, calma.
Meus rastros se apagam
quando as inquietudes se calam
e conexões se desfazem.
Pontes desmoronam e me vejo
entre denso nevoeiro, sem luneta,
a observar da margem esquerda à direita.
O que se cria, mais do que obra do amor,
é cria ardida da dor.
Visto de um outro canto,
poder-se-ia dizer que, tal qual narciso,
a obra provém do lodo,
para concluir-se que a criação
surge como maldição nos homens.
Eliseo Martinez
26.07.2016
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