Ofício de Professor
No Ocidente, instruir ao provocar mentes, já nasceu como labor de uma cética gente. Os sofistas foram os primeiros dentre todos que se fizeram sendeiros luminosos. Vindos das bordas do mundo grego, dirigiam-se à Atenas, ensinando por onde passavam. Viviam da nova educação dada aos filhos de outros, pois só no saber dos mitos havia sido instruído aquele povo. Seu maior rival, Sócrates, provocador genial, não hesitava em chamá-los às falas por terem desprezado a Verdade e dado preço a suas aulas, negócio nunca antes visto entre os nossos. A maior parte, de rendimento ralo, já penava em seu magistério árduo, mas houve os que se alçaram a pop stars helenos, fascinando com a oratória ricos jovens gregos, para logo após punir com a gramática, estes futuros cidadãos da polis democrática.
Hoje, o professor é refém dos interesses de poucos, que temem mover consciências com a boa educação dos muitos outros, pagando aos que vivem dela, não mais que míseros trocos. Se todo jovem for preparado, com formação e cuidado, conduzido ao limite do que pode, os que se apossaram do poder, a quem servem políticos de todo o tipo, seriam para sempre varridos, ao invés de condenar o professor a perversa condição de trabalho, transformando a escola pública em depósito dos filhos do pobre. A Educação é a prostituta de quem o Estado se vale para reduzir gasto público, tendo, a qualquer pretexto, seus já minguados recursos drenados para outro lado. Pela paga indecente, fica ao mestre proibido a cultura e o estudo, mantido longe do diferente. Mas que não lhe falte ao transporte e a um prato de comida para que não se extinga a dura vida.
Eliseo Martinez
25/11/2016
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