147.
Destino
À busca de respostas,
somos pródigos em imaginar porquês
que jamais nos farão saber o que,
ainda que nos movam;
por eles se mate, por eles se morra.
Foi assim que a primeira das causas
nos foi dada de graça, já falsa.
As três velhas Parcas romanas,
que bem antes eram chamadas Moiras
por gregos e troianos,
generosas, não pouparam esforços,
distribuindo aos que chegavam
sonhos e desencantos,
escassas alegrias e farto pranto.
Mais poupados, rudes aldeões
resumiram o trio a um só fado,
depositando todo o esperado sentido
na conta do implacável destino.
Como as marés, passamos a crer
que as sortes de toda a gente
se alongam, mar afora;
se recolhem, mar adentro.
De todo o engenho humano,
mitos são, de longe, os mais estranhos.
Acomodam os homens ao mundo que temem,
enquanto lhes tiram das mãos o comando do leme.
Eliseo Martinez
08.08.2017
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