150.
Magia do Tempo
A magia do tempo faz com que cada um
o perceba a seu jeito e, mesmo para esse,
se revele outro a cada momento.
A cosmologia dos físicos indaga
quando ele teria iniciado
e, antes do que move o cronômetro,
inaugurado o passado.
A cosmogonia dos mitos,
a milhares de anos, com pouco esforço,
obteve a resposta: Kronos,
o primeiro dos kronidas,
filho de Gaya e Urano,
que com o olhar curvo fundou a política,
foi seu patrono.
Há palavras pronunciadas,
que são como o cabo
que acomoda a mão à faca.
Mas o que importa é o gume afiado
da lâmina que corta.
Assim... penso sobre o tempo
e no acaso improvável da existência
em que me vejo suspenso.
Se o destino é o que define
tudo o que não conduzimos,
por qual jogo seriamos mais bem seduzidos
do que o dos dias que ainda nos cabem,
sem tédio, serem vividos?
Ser cronista do mal não me demite
do otimismo que partilho,
sempre perplexo ante ao fortuito bem de existir,
poder pensar e falar e sentir,
além de, às vezes, é claro, mentir.
Gozar do privilégio de ser num tempo e num espaço;
dar de cara com o vento ou cansar o cansaço.
Contudo, não compartilho da graça
de conceber qualquer próxima estada,
convicto do termo de nosso próprio tempo,
mesmo que, em outra escala,
a humanidade nos leve a todos
no rastro dos passos de sua breve jornada.
Eliseo Martinez
30.08.2017
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