Parque de Diversões
Fico aqui sentado,
olhando o jeito estranho
com que o mundo se move parado.
Os fios de vida enfiados de contas,
contas que contam o tempo,
medem o tanto de lumes, sorrisos;
o quanto de sombras, mochichos.
Chegam, passam, partem
para, já não sendo,
quem sabe restar, a prazo pouco,
nos que ficarem.
Anda a fila dos que se vão,
abrindo espaço para os que estão.
Sem entrar na conta os que ainda virão.
Tantas histórias, sonhos contidos,
tristezas por algum mal cometido,
alegrias, ilusórios conflitos...
Os tímidos pelos cantos, aos cochichos.
Vozes, gritos, alarido.
E, do que é feito este ruído
que me entra pelos ouvidos?
Palavras que falam de amor,
palavras que falam de morte
e, entre elas, perdão e ódio,
além da velha incrédula fé na sorte.
Coisas que falam de coisa alguma,
sem faltar o silêncio que se ouve,
o mais ensurdecedor dos barulhos.
Lembram o giro da roda do parque,
acompanhado pelos olhos atentos do palhaço
que, sob camadas de maquiagem,
da verdadeira face
dos que encenam o ato;
do que de fato trata o espetáculo.
Eliseo Martinez
25.08.2017
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