242.
O encontro
Entre paredes pintadas de verde-água,
imerso numa atmosfera borrada
pela luz difusa que invade o quarto
em cortinas mal cerradas,
um homem, já na idade,
sonambula pensamentos,
na meninice da recusa de despedir-se
de um dia que já não existe.
Reluta abandonar realidade e sentidos
inventados por outros
até que, por fim, ensonado e vencido,
se deixa levar ao reino dos sonhos,
que dizem ser o lugar
em que nascem os mitos e, é sabido,
onde nos pomos frente à frente
com quem somos,
sem saber que o somos.
Como parece mais fácil
ser servo de amo conhecido
do que despencar em voo livre,
sem garrote, sem destino.
Ao entardecer do dia seguinte,
por obra do esquecimento,
o tal homem, novamente,
tentará desmarcar o encontro
com ele mesmo e, mais uma vez,
se verá só, ante seus medos.
Eliseo Martinez
15.05.2019
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