292.
"Gado idólatra"
O termo foi cunhado por outro que não eu
nestes dias infestados pelo vírus da pandemia
para definir uma parte dos brasileiros,
a parte que envergonha por inteiro,
mas também revela o que já estava aqui,
antes do protagonismo do covid,
causando perplexidade onde quer
que a civilização tenha deitado raízes.
(De)formados pela servidão própria das manadas,
aí militam à serviço da mística das elites
e sua horda de corruptos políticos,
a par e passo com pastores zelosos
à frente de rentáveis negócios religiosos,
comerciantes gananciosos
a conduzir suas carreatas da morte,
sequelados terraplanistas, obscurantistas
avessos à ciência, a educação e a pesquisa,
contrários a cura pelas vacinas,
verdadeiros vírus da saúde publica,
analfabetos políticos,
a claque da ditadura e das milícias -
virtuais ou das balas homicidas -,
vendilhões do patrimônio
que devia alimentar os esquecidos,
incendiários da Amazônia,
o amplo leque dos que nutrem
o mais fervoroso desprezo pelo povo
e aplaudem o confisco
do parco ganho dos humildes,
mas, acima de tudo, os arrivistas
e ressentidos de todo o tipo.
Gente que se move por uma difusa fé no ódio,
negacionistas servis a novos e velhos nobres
em seu descaso à razão dos argumentos,
mesclada por capitalistas oportunistas,
inocentes úteis ou preguiçosos ludibriados,
semeadores de preconceitos,
o rebanho a que a alienação
surrupiou a verdadeira liberdade,
enfim, os irmanados na brutalidade.
A esses que idolatram genocidas,
imunes as palavras e para quem
pensar por si é esquisito, o que cabe ser dito,
senão: muh... , muh... , muh...
Eliseo Martinez
23.04.2020
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