Feriado
Não sei bem que serventia há de ter os feriados
a um aposentado, ao contrário dos demais brasileiros
que têm, na vida "ativa", uma das maiores jornadas
de trabalho do planeta, mas, pela força do hábito,
acaba-se fazendo o que se fazia antes da alforria
do capital e sua sede de mais-valia.
Tirei o dia para escutar velhos discos.
Coisa que não fazia a umas duas décadas!
De cara, dei com um LP de Taiguara (Canções
de Amor e Liberdade), um dos compositores/cantores
mais censurados pela ditadura militar/empresarial.
Belo disco, rico na mescla de nossos sons com sons
paraguaios, além de cheio de uma energia que
nos foi sugada e, dela, sobrou quase nada.
Mas, depois do deleite da voz e das canções do quase
esquecido menestrel inconformado, o céu azul
foi rapidamente encoberto por nuvens carregadas e...
deu é raiva, mesmo!
Me veio o sentimento de que vivemos numa gaiola
bem vigiada, onde grande parte do que tem valor
e é justo e, acima de tudo, questiona quem somos,
tem de ser calado à força neste país, para não destoar
da mediocridade reinante, cuidadosamente patrocinada
e associada à barbárie que é flagelo dos mais antigos
que se instalou por aqui.
Em um dos versos, Taiguara escancara que ao povo
não deve ser estranha "a Ciência que os ´senhores´
corrompem prá dominar", o que cai como uma luva
ao boicote às vacinas em plena pandemia por boa parte
das elites e seu pequeno títere, campeão dos sem-noção,
o rufião genocida.
Como se vê, no jogo da dominação, nada de muito novo é inventado pelos tais ´senhores´, que dão uma banana pro
povo e escarnecem da nação.
Eliseo Martinez
02.02.2022
Nenhum comentário:
Postar um comentário