Zen!
Na manhã de céu claro
e ares de maresia,
o homem deita pegadas
pela areia úmida
na imensidão vazia.
Desapoquentado de amores,
a dois passos
de acontentar-se da vida,
ele é corpo em movimento,
suspenso no tempo,
fugaz harmonia.
Braços e pernas leves
como velas de barco
infladas de brisa,
desapegadas do mastro,
rumo a ilhas ainda
a serem conhecidas.
Os olhos promíscuos,
que é o que parece
carregar de mais certo,
enamorados do arco das águas
de onde nasce o mundo,
por trás da linha imaginária,
que nem toda a geringonça
posta no espaço
desvendará seus mistérios,
tão largos.
Leva a mente entre parênteses,
esvaziada de inquietudes.
Ecoam livres no torço oco,
os sentidos todos,
como que içados
das profundezas de um poço.
Por vezes,
a paz de um homem
nada mais pede
do que a distância vital
do trânsito alucinado
de todos os outros?
E, do jogo, que não é mais
o jogo das ondas,
mas mau jeito do pescoço;
da praia, que já não é praia,
e sim, um canto da sala,
desperta em sobressalto
para pôr-se a cismar no sofá,
onde, há pouco,
se ia pela praia descalço.
Ommm...
Eliseo Martinez
19.02.2022
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