A imaginação e as noites
outros tentaram ainda mais.
Se antes, para melhor decifra-la,
contamos com a ajuda
de curandeiros e adivinhos,
mais tarde, incumbimos da busca,
filósofos e cientistas,
munidos de livros, pergaminhos.
Mas, de tão misteriosa que é,
esta potência da vida,
jamais recebeu o cuidado devido,
mantida, em parte, desconhecida.
Quem define suas nuances
ou os caminhos por onde anda?
Como dá formas ao que,
para outros, é coisa pouca?
De onde saca seus planos?
Qual seu plano de voo?
Mesmo batedor que ande a frente,
ela ainda nos prende às origens,
nas malhas de velhas matrizes.
No silêncio das noites, quando,
dos domínios de um travesseiro,
a imaginação se vê livre, à deriva,
o medo, de sua solidão, condoído,
acaba por seduzi-la,
trazendo ao presente
seu ancestral mais antigo,
avesso a ser esquecido.
O certo é que, nas madrugadas,
zumbis, canibais, tigres-de-sabre
renascem das covas do passado,
fazendo ecoar seus bulícios
pelas paredes do quarto,
a nos manter acordados.
E, assim como vêm,
surgidos do breu das cavernas,
ocas, malocas, confins da Terra,
desaparecem no nada,
ao primeiro sinal da alvorada.
Desde o início,
levados pela imaginação,
a escuridão nos assombra
com uivos, rangidos, gemidos,
anunciando a ronda sinistra
de nossos mais íntimos demônios,
crias do medo e das sombras,
fiéis inquilinos da mente humana.
Eliseo Martinez
11.05.2022
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