Máquina do tempo
Surgidos do nada,
por conta do acaso,
acabam por vingar
no oco de uma semente,
como vingaram sempre
do levante ao poente.
Germinam, entre eles,
no comum de seus delírios.
Sem muito esforço,
usufruindo escassos benefícios,
multiplicados, se for o caso,
por cada acaso inesperado,
diferenciando-os em algo.
O giro da roda calcula
a soma do que foi vivido,
subtraindo o mal hábito
ou natural desequilíbrio,
abatido do saldo líquido
e, com razoável imprecisão,
define o que fica.
E o que fica é pouco.
Sempre pouco.
No geral, ignoram o fato
que, sobre o uso do mandato,
incidem propina e taxas
para, no próximo desconto,
fazer do pouco, já mal aceito,
pouco em dobro, sem mais jeito.
Mas não é tudo!
O resto, que vai sendo parcelado,
também, vai sendo, a custo, pago,
até não ter em si
o que ainda ser partido.
Ainda sob mesma direção,
neste último movimento
de crítica inflação,
passam ao ônus da depressão,
a um passo de alienar suas ações.
Em pouco, deslizam para baixo.
Enfim, dissolvendo-se no zero,
cavado mais ao raso.
Só, então, em meio a umidade,
veem-se restaurados
em seu exato significado,
pouco antes de retornar ao nada,
de onde tudo foi criado.
Dos dados lançados à sorte
na caça de objetivos sem sentido,
agora, irremediavelmente livres,
cumprem seu destino.
Mas, diverso do que sucede
em bandos de outra espécie,
o fim ainda hesita, prorrogando
a rala existência, já extinta,
nas lembranças distorcidas
dos que ficam.
Eliseo Martinez
18.05.2022
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