Sou uma fraude
Escrevo coisas que não sinto,
sinto coisas que não entendo,
entendo coisas pelo avesso e,
entre o início e o fim de cada uma,
já não sei bem o que vai ao meio.
Como muitos antes, vindos
ao mundo num treze de junho,
estou longe de ser o melhor
intérprete de mim mesmo.
Mais que escrita,
sou rascunho do que estou, inerte
sobre a mesa em que me escrevo.
Talvez por isso nos chamam gêmeos.
Quando um fica para trás,
o outro apressa o passo,
se fazendo de ligeiro.
Quem nos salva é aquele outro
que por vezes é Alberto ou Ricardo
ou o tal Álvaro de Campos
e até outros, que ao fugir à regra,
vai redimindo a malta toda.
Eliseo Martinez
13.05.2023
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