O aviso de Hannah
Quanto a nós, não faltou ponto ou linha
sincronizando nossas geografias,
tampouco nos faltaram afinidades
ou similitudes no propósito de vida.
Gim tônica, literatura,
revolução e estrada...
O ímpeto dos sentidos, a inquietude,
o desejo, a caminhada...
Mas, por mais que não faltasse o que nos unia,
quando o mal, que sempre espreita,
esgueirou-se pelas frinchas das nossas vidas,
a fuligem, a força do viço e os apelos do mundo
nos fizeram mergulhar no brilho
opaco das possibilidades.
E olha que Hannah já nos havia avisado...
Depois de seguir confiantes,
mão na mão pelos caminhos,
parece que cansamos do aconchego do ninho
e, descuidando dos rumos já traçados,
nos deixamos seduzir pelo irresistível
acenos do presente e seus ícones dourados.
Talvez não tenha sido a barganha mais sensata,
mas nossas mãos estavam repletas de ases
e acabamos por fazer uma aposta desastrada.
Pagamos para ver, sem perceber
que banalizávamos essa coisa rara
chamada cumplicidade.
Foi o que bastou,
levando cada um de nós dois para outros lados.
E olha que Hannah já nos havia avisado...
Eliseo Martinez
14.05.2023
Nenhum comentário:
Postar um comentário