Rios de Calmarias
era todo som e fúria,
neste fim de tarde,
não conta com brisa
que encapele suas águas.
Chega-se a escutar
as vozes da pouca gente
em dois sotaques diferentes,
ao cruzar a ponte pênsil.
No jogo silencioso das tarrafas,
tudo é paz e calmaria
sob um céu de cinzas, claro.
Da boca deste caminho d'água
mal se percebe o vai e vem
das ondas de outras águas,
as salgadas, mais profundas,
mais agitadas.
Os biguás, desajeitados,
cedo se recolheram e as capivaras
esses excêntricos visitantes,
ainda não deram o ar da graça,
acostumadas a vir em bandos
costeando a orla,
para passear pelas calçadas
e roer grama nas praças.
Nestas tardes calmas,
descortinadas de chuvas,
quando o sol declina lento
por trás do curso do Mambituba,
des-pensamos feito andorinhas
e não há nada que perturbe.
Estes raros dias de calmarias
desarmam armadilhas...
Eliseo Martinez
08.12.2024
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