Pobre Ucrânia!
Na terra de Clarice,
abertamente, se flertava
com neonazistas e suas milícias.
De Washington
lançaram lhe a fatídica isca
embebida no veneno da malícia
e, insuflada de coragem,
começou a confrontar
os russos expansionistas.
Em pleno jogo,
o peão quis trocar de lado
e passou a acalentar o sonho
de se aninhar a NATO.
Fragilizada, ao neutralizar
suas esquerdas, fizeram
das vozes discordantes
seu inimigo mais importante,
enquanto as raposas
de fora do galinheiro
esperavam que o caos reinasse
no centro do picadeiro.
Agora, depois dos três
longos anos de guerra
e um milhão de mortos,
no mais recente banho
de sangue do ocidente,
é traída pelo falso amigo
estadunidense.
Pobre Ucrânia!
O ogro de cabelo alaranjado,
de uma tacada, cobra a conta
e, para a surpresa de todos,
convida os que há muito
traíram Lenin e seu próprio povo
a se unir numa insólita aliança.
Retalhada por russos
e americanos, encravada
numa Europa amedrontada,
paga com o próprio território
as dívidas contraídas
na aventura dos tanques e mísseis,
garganteada pelo bobo da corte,
seu presidente humorista.
Em busca dos recursos naturais,
a direita internacional
canibaliza seus filhotes regionais.
E, no final, dividem entre eles
o butim das terras raras
e os metais que vão dar
fôlego novo as maravilhas
da Tesla, da NASA e do I-Phone,
deixando aos ucranianos o ônus
da humilhação e do sacrifício.
Pobre Ucrânia!
Eliseo Martinez
25.02.2025