496.
Os Quatro na Praia
correu os olhos pelo cenário,
pronto a ver nele o que havia de hilário.
Era tanto corpo estendido na areia,
tostando ao sol como peixes na frigideira.
Havia os descolorados, recém chegados
e os morenos, bem passados.
Mas o que chamava a atenção,
mesmo, eram os avermelhados,
tipo camarões assados.
O Irônico, com olhar mais largo,
se limitava a medir o senso
do ato disparatado,
depois de apontar contradições
que ninguém mais havia notado.
De um lado, o desconforto
do rito dos corpos expostos
sob o sol que tosta
e, de outro, o almejado bronze
que, em pouco, desbotará de novo,
voltando a ter a cor da bunda,
o resto todo.
A ambos, juntavam-se, ainda,
outros dois, os mais ingênuos
e bem intencionados dos quatro,
enfileirando casquinhas de siri
com caipirinha no quiosque recuado.
O Otimista defendia que viver o dia
é o que conta;
o Pessimista, a insistir que o sol ainda
cobraria pela afronta.
Não mais que de repente,
o solitário observador deu uma
breve pausa aos divergentes,
dos muitos a que dava guarida
em sua mente.
- Ôh, do balcão!
Baixa mais uma vodca com limão.
E, assim, correu a tarde,
sem muito acordo entre as partes.
Eliseo Martinez
22.01.2025
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