143.
Forasteiros
Por vezes, nossos passos nos conduzem
à encruzilhada das escolhas,
movidos por credos que dão sentido
ao tempo que nos cabe.
Umas confirmam papeis que encenamos,
irreconhecíveis a cada manhã,
por trás do espelho, quando acordamos.
Outras nos levam a ser outro,
mais do que habituamos a ver
colado ao estranho rosto,
nos fazendo partir de nós para
nos reencontrar mais além do esboço.
E, assim, movendo quem estamos,
vamos nos tornando quem somos.
Sempre incompletos,
entre o que há e o todo.
Sempre forasteiros,
a espiar do fundo do espelho.
Eliseo Martinez
16.07.2017
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