A ubiquidade do acaso
A fé e a razão tão contrárias são
que, fora uma a outra,
não têm olhos para o que conspira
à luz das sombras sobre ambas,
na vasta escuridão que nos circunda.
Qual grão fez o monte vir abaixo,
a gota vazar do mar as águas?
Qual palavra fez a mão que afaga
brandir no ar a lâmina da adaga,
a lágrima secar no olhar a mágoa?
Que ira azedou no copo o vinho,
fazendo da trilha conhecida descaminho?
Tanto início até a beira precipício.
Tanto recomeço dos entes em conflito.
Neste sítio do desmundo,
onde submergem universos
coalhados com seus mundos,
vaza pelos poros de tudo
o elemento de uma matéria oculta.
O que mais senão o inesperado acaso
ensaia alguma ordem, mesmo frágil,
no mar de caos que reina por toda parte
do cosmos indecifrável?
Eliseo Martinez
17.04.2023
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