444.
Passageiro sem cuidado
na perspectiva do planeta se à esfera
azulada fosse concedida boca
para pôr no mundo e língua inteligível
a expressar o que há muito antecipam
rios, florestas, geleiras e mares,
uma voz que falasse pelas criaturas
sobre a terra, pelas águas e os ares,
senão que aquele que podendo mais,
pôs em risco a natureza toda,
julgando dela ser o dono?
Diria, o planeta, que o homem
foi a parte que se fez estranha,
não poupando esforço ao negar o todo.
Talvez diga, ainda, que por mais dano
que causou ao mundo o humano
não foi mais que acidente de percurso,
cabendo ao tempo reparar o estrago feito
depois do breve prazo em que por aqui
andou como um passageiro sem cuidado.
Eliseo Martinez
27.04.2023
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