Felicidade
Há temas que vencem o tempo
em algum recôndito lugar incerto
da mente de néscios, sábios e despertos.
Mais do que é amealhado por dinheiro;
mais que as portas que o poder abre
pelas arenas do mundo inteiro;
mais que os encantos de uma mulher,
nos lançamos à procura dessa coisa
chamada por todos felicidade,
sem saber bem o que ela é.
Às vezes, ela parece surgir
de um instante congelado no passado
quando, nem mesmo àquela altura,
era assim considerada,
dando-lhe ares de coisa imaginada.
Outras vezes, a dita cuja
é remetida às calendas do futuro
mas, é de supor-se que nunca
haverá tempo suficiente para usufruir
do seu lucro ou dos seus juros,
tendo existência, apenas,
no desejo oculto dos que a procuram.
Mas, sejamos pacientes
e a procuremos, uma vez mais,
na fluidez do tempo presente.
Restando a ela o átimo do agora,
como o estalido dos fogos de artifícios
que no ano novo pipocam sobre a orla,
pode-se dizer da quimérica felicidade
que é coisa tão passageira que, se é,
deixa de ser, sem rastro e sem demora.
Não fazendo ninho no que já foi,
no que virá ou no que vai ao meio,
talvez a felicidade só encontre lugar
no sorriso largo das crianças
ou no devaneio dos insanos, com sorte
de provarem da vida sem receio.
Eliseo Martinez
18.10.2025
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