Noite esperada, som ensurda, balada, luzes sujas.
Excitação do ca-ra-lhooo, grávidos males, tur de bares,
risos de jovens, alegres ares. Ainda, assim, bons
garotos, filhos anônimos de anônimas donas
Marias, Rosinhas, Erundinas, Quininhas...
Alquimia, mente vazia, sombras atrás do que luzia,
tédio, pedaços de sonhos despencados, vazias fantasias.
Na fuligem deste incenso, acorda insana turba,
levantam bêbados ferozes, roleta dos, antes,
inocentes, agora, jurados algozes adolescentes.
Cruzar de olhares, faísca, estopim que arde,
pobres vítimas juvenis. Faca, gritos, falta de sorte,
derramada nos rubros cortes. Beco escuro, sangra só,
alheio alguém qualquer, na pouca vida vivida,
interrompida, fim de festa, novo ano,
verte a fresta, feito inútil traste humano.
Correria, adrenalina, sob imundo viaduto, assustados
olhos negros, olhares vermelhos, estanca o medo,
cúmplices, galvanizam parceria, agora, fortes na
selvageria, provam do poder com que se habituaram
a viver, garotos da periferia.
No aconchego de outro consenso feito, gira o globo
indiferente, aliás, como toda gente.
Eliseo Martinez
13.01.2016
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