PERDAS I
A paliçada de chumbo da impossibilidade
é refundida em minha mente
como uma vertigem congelada.
É o punho fechado da realidade,
que nos deixa à garganta entalado
o grito surdo como se suspenso no vácuo estrelado.
É o fato da perda sem o ato do achado.
É, na ilha deserta, rastro de outra pegada,
pelo único náufrago, encontrada.
É a contingência da sentença
e, também, a imanência da experiência.
É buscar a ponta do fio emaranhado
na mente tracejada do demente.
É a perplexidade frente ao desfiladeiro
em que, sem placa, acaba a estrada.
Mas, também, é o que verdeja para além
da finitude da mais sentida das perdas,
todo o infindo mundo, grávido de tudo,
até mesmo do que podemos chamar de lindo.
Eliseo Martinez
20.01.2016
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