Por quê, assim ?
Foi só então, esvaziado de razão,
que pude ser ninguém.
E todo o nada que sou,
é tudo o que sou eu.
Ao mínimo, resumido,
liberto de membros e pensamentos,
só o que prova minha existência
são pegadas, por mim,
deixadas na areia.
Nada mais que prova circunstancial,
com tempo de validade,
a situar-me do lado oposto à eternidade.
Por fim, entendi que se escreve como se vive:
como minhoca protegida no labirinto da toca;
ou, de asas abertas,
mesmo que em linha torta,
como um tordo em voo,
sob o granizo da chuva de outono.
Na falta de caminho certo
ou reto atalho que me valha,
ficou-me natural a escolha.
Eliseo Martinez
03.06.2016
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