Sorriso Desimpedido
Dentre as muitas artes que mal, ou mesmo nada, sei
- merecendo delas diploma de ignorância -
acha-se a geometria, ciência de inequívoca relevância
ao cálculo da revolução da trajetória em arco de lábios
acostumados a permanecerem cerrados
e concluir, sem esforço, o que não passa,
num sorriso, de esboço, um permanente ensaio,
não faltando apressados que o tomem,
em mim, pelo brilho opaco do escárnio.
O valor de algo reside na casa onde dele há falta,
assim, passei a crer na força alentadora
da graça de um sorriso desimpedido
a iluminar o rosto de uma pessoa.
Como porta e janela já foram tomadas,
reivindico ao sorriso o lugar de escotilha da alma,
uma vez que o maior dos poucos lotes de paixão
com que fui tocado, deve a ele o toque mágico.
Na verdade, revirando essas histórias,
é o que, acima de tudo e antes de mais nada,
ficou gravado em minha memória.
Eliseo Martinez
02.06.2016
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