PERDAS III / MORTE IV
Sob efeito do esquecimento que granula
a imagem proto-sólida da memória,
faz-se idêntico movimento a pulverizar,
do improvável acaso que sou, a trajetória,
levando-me a deslizar lentamente
para os limites da existência.
Onde, cruzada a ponte,
já não pertenço ao tempo.
O que restar se perderá nas lembranças
dos que, desidratados de esperanças,
a sua hora, partirão depois de mim.
Evidências espalhadas pelo espaço,
ainda, denunciarão meus rastros.
Resumido ao rosto, em fotos que desbotam;
ao nome, em papéis que, a seu turno, mofam.
Por fim, já deixado de ser eu,
passo a deixar de ser ele, de outros,
para não-ser simplesmente,
que já fui antes de mim.
Sequer parte do primordial vazio,
diluído no nada essencial
do grego Kaos, Jano de romanos,
uno e infindo e ... oportuno.
Eliseo Martinez
29.08.2016
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