103.
Beleza
A Beleza não é algo que se toque,
que se ouça ou, mesmo, que se veja. É parto raro, de humana natureza.
É nota ativada pela centelha do espírito
a soar sublime na alma em neblina,
sob a reverente curva do tempo
que desacelera e,
no instante em que para, a reverbera.
Por vezes, ainda mais raro,
a Beleza se faz solista regida pelo acaso,
que passa a orquestrar sons
vindos sabe-se lá de que lado,
numa improvável sinfonia,
que homens passaram
a chamar de Felicidade,
fechando o círculo perfeito
em sua mais completa harmonia,
sob olhos gratos que se desfazem
com o beijo ardente da vida
nos refrescantes lábios da morte,
aninhada em seus braços.
Eliseo Martinez
05.02.2017
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