Menininha
Tu, entre as escolhidas da Senhora da Vida,
que passa em alvas batas, saltos altos, mansas falas,
na delicada transcendência, ao deslizar por ela,
despertou curvos olhares da outra em negros panos metida.
Sem o saber, ofendeu brutos com a graça de teus gestos
e o som da voz que musicaste.
Se não deixaste as tuas, conduziste com maestria as crias
de tantos outros que com amor educas e ensinas.
Decidiste por tua conta, tingir de azul uma lagoa encarnada,
onde deitam tuas raízes, levando-a junto ao peito
por terras que se banham noutros mares.
Por teus dotes, não menos que o próprio Destino foi incumbido
de fazer girar a roca e lançar-te as sortes,
sendo severamente punida pelos cegos guardiões
das tábuas que a tudo equilibram.
Ao longo da jornada, vezes sem conta, tua culpa foi provada.
E tu, o que fazes para defender-te da malta rude
que das sombras de insulta?
Simula dar de ombros, como se imune às mágoas fosse.
Risca um sorriso amável nos lábios,
joga teus negros cabelos pro lado
e segue adiante, sabe-se lá a que custo,mantendo a candura e o fino trato que,
em rápidos traços, definem teu retrato.
Eliseo Martinez
06.02.17
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