279.
Amazônia
Pelas veias abertas
no solo raso da floresta
escoam sobre as caçambas
colossais corpos insepultos da Amazônia.
Nas águas de seus rios corre o mercúrio
do saque das riquezas sob o solo
do santuário ecológico.
Do verde de suas matas
surgem vastos descampados
que a ganância abriu
a fogo, trator e machado,
destinados a plantações de soja
e pasto aos rebanhos de gado,
riscando aldeias indígenas do mapa.
A invasão dos domínios
dos primeiros brasileiros
é a moeda de sangue
lavada pelas mãos sujas
de grileiros e fazendeiros,
garimpeiros e madeireiros,
acobertados por governantes
associados aos banqueiros
e a polícia mancomunada a pistoleiros,
ameaçando a existência
da exuberante flora e fauna
com que os povos da floresta
compartilham, em seus mitos, suas almas.
O mundo nos olha atônitos
enquanto nosso anômalo governo
incita a devastação pela queima
da maior floresta do planeta.
Vozes em todos os idiomas se levantam
contra a política de terra arrasada
que os vendilhões da pátria
descaradamente levam a cabo.
As lentes, que do espaço
orbitam nossa grande oca,
registram a acelerada e trágica troca
do verde vivo pela morte ocre,
numa catástrofe tal
que, ironicamente, é medida
em milhões de campos de futebol.
Eliseo Martinez
25.12.2019
Eliseo A. C. G. Martinez
Blog de Imagens e Rimas Quebradas - Eliseo A.C.G. Martinez
" Caminhante, não há caminho, o caminho se faz a andar."
Antônio Machado
quarta-feira, 25 de dezembro de 2019
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
278.
Pequena
Pena, minha pequena,
que em mais este dia
que não te conheço,
me foi negado o direito
de embalar teu berço,
te ter nos braços,
saber dos finos traços
que te definem a face,
atar o que foi apartado
pela trinca de um caráter.
Pena, minha pequena,
que nos negaram um ao outro,
como se de raízes mutiladas
nasçam flores mais perfumadas.
De qualquer jeito, pequena,
te desejo que não me bata à porta
só depois de me ter ido embora.
Eliseo Martinez
17.12.2019
Pequena
Pena, minha pequena,
que em mais este dia
que não te conheço,
me foi negado o direito
de embalar teu berço,
te ter nos braços,
saber dos finos traços
que te definem a face,
atar o que foi apartado
pela trinca de um caráter.
Pena, minha pequena,
que nos negaram um ao outro,
como se de raízes mutiladas
nasçam flores mais perfumadas.
De qualquer jeito, pequena,
te desejo que não me bata à porta
só depois de me ter ido embora.
Eliseo Martinez
17.12.2019
277.
A escolha
A profecia da vidente,
barganhada por prenda ou dinheiro
pago pela vizinha de uma parente,
já havia antecipado
os contornos da desgraça
e a sina do desgraçado.
A ele, seria concedida uma última escolha.
O caminho mais curto
o levaria à saída imediata, porém segura,
o mais longo, ao círculo de fogo
de medonhas criaturas.
Ali, nada o salvaria,
coroando de misérias uma vida sem valia.
Da trajetória de um voo noturno
ouviu-se o chirriar da coruja,
que no pulso de um segundo,
riscou arrepios na espinha do vagabundo
a cambalear na orla escura da mata
com a mão esquerda aferrada à garrafa
e a direita para o alto,
numa súplica de graça,
na pouca fé que, a estas horas, basta.
Sombras se agigantaram
na imaginação do pobre homem,
mil olhos espreitavam sobre seus ombros
e os sons da noite despertaram medos
já temidos pelo primeiros da raça
dando início a colheita das promessas
feitas às entidades divinizadas
para, à luz do dia, serem esquecidas,
assim como o rito das rezas prometidas.
Acordou numa vala
forrada de galhos partidos,
lama e folhas caídas,
em meio as imundices do corpo,
tristemente exposto pelas feridas.
Tentou erguer-se por três vezes,
por três vezes as forças lhe faltaram.
As névoas que lhe enchiam a cabeça,
turvavam-lhe os olhos
até que, dissipadas pelos raios
do sol das onze horas,
descortinaram mais do que podia
a claridade da clareira a sua volta.
Era, já, uma clarividência inteira
que, dele, se apossava.
Lembrou-se do que antecipou a vidente
à tal vizinha da parente.
Hesitou, pendendo para um lado e outro
da balança figurada em sua mente.
Seria apenas um pouco mais do mesmo
do que já lhe foi posto à frente,
agora, sob às lentes do medo,
seu mais fiel companheiro,
apontando o enganoso atalho
a lhe abreviar a estada?
Ou seria, esta, a escolha anunciada?
Num ato resoluto,
deixou-se, ali mesmo, caído de bruços,
junto a umidade esverdeada do musgo.
Com o onde e o como sentenciado,
restava o quando a ser executado.
Enfim, tudo se encaixava.
Do caos tão conhecido,
nascia uma ordem e um sentido.
A escolha pelo mais breve,
revelava-se a mais sensata.
Dias depois, foi encontrado
no bosque próximo à cidade,
o corpo de um homem já morto
que serviu aos bichos,
saciando-lhes a fome.
Dizem que, do rosto dilacerado
do pobre diabo,
os lábios foram preservados
e, neles, estampado
um sorriso engraçado,
dando ao cadáver
o ar de quem se acha grato,
talvez, até, recompensado.
Eliseo Marinez
17.12.2019
A escolha
A profecia da vidente,
barganhada por prenda ou dinheiro
pago pela vizinha de uma parente,
já havia antecipado
os contornos da desgraça
e a sina do desgraçado.
A ele, seria concedida uma última escolha.
O caminho mais curto
o levaria à saída imediata, porém segura,
o mais longo, ao círculo de fogo
de medonhas criaturas.
Ali, nada o salvaria,
coroando de misérias uma vida sem valia.
Da trajetória de um voo noturno
ouviu-se o chirriar da coruja,
que no pulso de um segundo,
riscou arrepios na espinha do vagabundo
a cambalear na orla escura da mata
com a mão esquerda aferrada à garrafa
e a direita para o alto,
numa súplica de graça,
na pouca fé que, a estas horas, basta.
Sombras se agigantaram
na imaginação do pobre homem,
mil olhos espreitavam sobre seus ombros
e os sons da noite despertaram medos
já temidos pelo primeiros da raça
dando início a colheita das promessas
feitas às entidades divinizadas
para, à luz do dia, serem esquecidas,
assim como o rito das rezas prometidas.
Acordou numa vala
forrada de galhos partidos,
lama e folhas caídas,
em meio as imundices do corpo,
tristemente exposto pelas feridas.
Tentou erguer-se por três vezes,
por três vezes as forças lhe faltaram.
As névoas que lhe enchiam a cabeça,
turvavam-lhe os olhos
até que, dissipadas pelos raios
do sol das onze horas,
descortinaram mais do que podia
a claridade da clareira a sua volta.
Era, já, uma clarividência inteira
que, dele, se apossava.
Lembrou-se do que antecipou a vidente
à tal vizinha da parente.
Hesitou, pendendo para um lado e outro
da balança figurada em sua mente.
Seria apenas um pouco mais do mesmo
do que já lhe foi posto à frente,
agora, sob às lentes do medo,
seu mais fiel companheiro,
apontando o enganoso atalho
a lhe abreviar a estada?
Ou seria, esta, a escolha anunciada?
Num ato resoluto,
deixou-se, ali mesmo, caído de bruços,
junto a umidade esverdeada do musgo.
Com o onde e o como sentenciado,
restava o quando a ser executado.
Enfim, tudo se encaixava.
Do caos tão conhecido,
nascia uma ordem e um sentido.
A escolha pelo mais breve,
revelava-se a mais sensata.
Dias depois, foi encontrado
no bosque próximo à cidade,
o corpo de um homem já morto
que serviu aos bichos,
saciando-lhes a fome.
Dizem que, do rosto dilacerado
do pobre diabo,
os lábios foram preservados
e, neles, estampado
um sorriso engraçado,
dando ao cadáver
o ar de quem se acha grato,
talvez, até, recompensado.
Eliseo Marinez
17.12.2019
segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
276.
Dissolvido
Neste espaço reservado
a escritos do eu,
o privado é um vaso trincado
que me vaza pelo chão já molhado
dos que vieram antes de eu,
por aqui, ter passado.
Do corpo liquefeito,
imerso no hemisfério
das febres de dezembro,
persiste o cego instinto
e a voz já quase inaudível,
desapossada de si, somada
a torrente dos murmúrios
presos à pele do tempo.
Como gota de rios de gente,
consciente do pouco já feito,
resignado da parte sem jeito,
sem jamais permitir desistir,
me dissolvo no fluxo da corrente,
para apenas des-existir para sempre.
Eliseo Martinez
16.12.2019
Dissolvido
Neste espaço reservado
a escritos do eu,
o privado é um vaso trincado
que me vaza pelo chão já molhado
dos que vieram antes de eu,
por aqui, ter passado.
Do corpo liquefeito,
imerso no hemisfério
das febres de dezembro,
persiste o cego instinto
e a voz já quase inaudível,
desapossada de si, somada
a torrente dos murmúrios
presos à pele do tempo.
Como gota de rios de gente,
consciente do pouco já feito,
resignado da parte sem jeito,
sem jamais permitir desistir,
me dissolvo no fluxo da corrente,
para apenas des-existir para sempre.
Eliseo Martinez
16.12.2019
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
275.
"Não complica"
- O entendimento exige um certo esforço:
da azeitona, é melhor que se tire o caroço;
da corda, que se livre o pescoço.
Para que algo seja verdadeiramente compreendido,
há de se dar trabalho à mente.
- Que trabalho é esse, profe?
- O trabalho da mente é o pensamento.
A mente trabalha quando nos impomos
a tarefa de pensar,
o que é menos natural
do que somos levados a acreditar.
Todo aquele que nos diz:
"não complica, tudo e muito simples";
das duas uma, ou o sujeito e mais burro que a gente
ou quer nos passar à frente -,
dizia o velho mestre escola
para sonolentos rapazolas
a pensar no lanche do recreio
ou na hora de ir-se embora.
- Fique tranquila, dona Maroca -,
que observava a cena do lado de fora da porta.
- Coisa quase certa é que aparências enganam.
De um lote destes, saíram einsteins e niemayers,
como também, escadinhas e marcolas!
Um florentino já bem morto
e mal lido entre nosotros,
usando palavras simples de sua terra
forjou ferramentas de razão
que ajudam a calibrar nossa visão periférica.
Falou, ele, da "virtú" e da "fortú".
Para outro, agora, um ilustre castelhano,
"somos o que somos, nós mesmos
mais o conjunto das circunstâncias em torno".
...
(a pausa vem no olhar da dona Maroca)
- Mas, trocando em miúdos,
tudo é um trabalho ... e uma puta duma sorte,
minha senhora!
- Já bateu, profe!
Hoje, tem cachorro-quente e mariola
na merenda da escola.
Eliseo Martinez
12.12.2019
"Não complica"
- O entendimento exige um certo esforço:
da azeitona, é melhor que se tire o caroço;
da corda, que se livre o pescoço.
Para que algo seja verdadeiramente compreendido,
há de se dar trabalho à mente.
- Que trabalho é esse, profe?
- O trabalho da mente é o pensamento.
A mente trabalha quando nos impomos
a tarefa de pensar,
o que é menos natural
do que somos levados a acreditar.
Todo aquele que nos diz:
"não complica, tudo e muito simples";
das duas uma, ou o sujeito e mais burro que a gente
ou quer nos passar à frente -,
dizia o velho mestre escola
para sonolentos rapazolas
a pensar no lanche do recreio
ou na hora de ir-se embora.
- Fique tranquila, dona Maroca -,
que observava a cena do lado de fora da porta.
- Coisa quase certa é que aparências enganam.
De um lote destes, saíram einsteins e niemayers,
como também, escadinhas e marcolas!
Um florentino já bem morto
e mal lido entre nosotros,
usando palavras simples de sua terra
forjou ferramentas de razão
que ajudam a calibrar nossa visão periférica.
Falou, ele, da "virtú" e da "fortú".
Para outro, agora, um ilustre castelhano,
"somos o que somos, nós mesmos
mais o conjunto das circunstâncias em torno".
...
(a pausa vem no olhar da dona Maroca)
- Mas, trocando em miúdos,
tudo é um trabalho ... e uma puta duma sorte,
minha senhora!
- Já bateu, profe!
Hoje, tem cachorro-quente e mariola
na merenda da escola.
Eliseo Martinez
12.12.2019
sexta-feira, 6 de dezembro de 2019
274.
Das culpas
Poderiam estar gravadas
na laje fria de uma lápide
as últimas palavras
jamais confiadas às páginas
do diário de um suicida,
na solitária recusa
de se ficar nos que ficam:
"Para todo aquele, como eu,
que não ligou na madrugada
para dizer do peso
demasiado da jornada;
que não chorou por não saber
que ser humano é, a cada dia,
se pôr a despertar sonhos,
ninar fantasias
e fazer dormir
insones desenganos".
Que mundo seria este,
se nos dispuséssemos
a rastrear essas dores,
mais longe de nós,
mais perto de todos,
tecendo redes de apoio.
Para cada suicida,
acumpliciam-se às escondidas
um sem-número de assassinos.
No momento em que
apenas um solta das mãos,
mais uma selfie de nossa
descendência homicida
é feita pelas lentes
sempre atentas do destino.
Eliseo Martinez
06.12.2019
Das culpas
Poderiam estar gravadas
na laje fria de uma lápide
as últimas palavras
jamais confiadas às páginas
do diário de um suicida,
na solitária recusa
de se ficar nos que ficam:
"Para todo aquele, como eu,
que não ligou na madrugada
para dizer do peso
demasiado da jornada;
que não chorou por não saber
que ser humano é, a cada dia,
se pôr a despertar sonhos,
ninar fantasias
e fazer dormir
insones desenganos".
Que mundo seria este,
se nos dispuséssemos
a rastrear essas dores,
mais longe de nós,
mais perto de todos,
tecendo redes de apoio.
Para cada suicida,
acumpliciam-se às escondidas
um sem-número de assassinos.
No momento em que
apenas um solta das mãos,
mais uma selfie de nossa
descendência homicida
é feita pelas lentes
sempre atentas do destino.
Eliseo Martinez
06.12.2019
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
273.
Dúvida
Apenas depois de se dispor
a construir e transpor
com empenho próprio
os degraus da dúvida,
feitos com as tábuas
encontradas, mesmo que
tomadas de caruncho,
é possível tocar, não no alto,
mas sob escombros da escada,
alguma certeza que ainda
se encontre por lá soterrada,
antes que ela se esgueire
e bata as asas.
Eliseo Martinez
05.12.2019
Dúvida
Apenas depois de se dispor
a construir e transpor
com empenho próprio
os degraus da dúvida,
feitos com as tábuas
encontradas, mesmo que
tomadas de caruncho,
é possível tocar, não no alto,
mas sob escombros da escada,
alguma certeza que ainda
se encontre por lá soterrada,
antes que ela se esgueire
e bata as asas.
Eliseo Martinez
05.12.2019
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
272.
Lá se vai...
Mais para coisa outra
do que parte de coisa toda,
de mãos vazias
e bolsos com coisa alguma,
traz na manga um par de ases
para cobrir possível desventura.
Lá se vai o gajo
de hálito avinhado
e olhar aparvalhado,
no andor do passo gingado,
à busca sabe-se lá do quê.
Já que não é de deus,
será do diabo ou do saci-pererê?
Quem se importa?
Talvez nem mesmo ele.
Ou apenas procure,
por entre as pedras da calçada,
palavras afiadas,
que são serpentes
de línguas bifurcadas.
Eliseo Martinez
03.12.2019
Lá se vai...
Mais para coisa outra
do que parte de coisa toda,
de mãos vazias
e bolsos com coisa alguma,
traz na manga um par de ases
para cobrir possível desventura.
Lá se vai o gajo
de hálito avinhado
e olhar aparvalhado,
no andor do passo gingado,
à busca sabe-se lá do quê.
Já que não é de deus,
será do diabo ou do saci-pererê?
Quem se importa?
Talvez nem mesmo ele.
Ou apenas procure,
por entre as pedras da calçada,
palavras afiadas,
que são serpentes
de línguas bifurcadas.
Eliseo Martinez
03.12.2019
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
271.
Quando
Quando...
nos vemos do outro lado do espelho;
o que nossos olhos veem
ameaça crentes do rebanho inteiro;
o que falamos soa estrangeiro
dentro das fronteiras de nossa gente;
o que sentimos e nos é caro
destina-se ao ralo do pouco caso;
o que nos bate o coração,
não move irmãos caídos ao chão;
a intenção por trás do gesto
é facilmente turvada e o engodo
logo aceito como fato consumado;
as palavras já não servem para nada
e as ideias, de antemão, deturpadas;
a verdade nada mais é do a conveniência
dos dominantes sobre os dominados
e a liberdade uma marca do mercado
a ser negociada...
mais um ciclo da existência humana
ensaia seu ocaso, exaurido na folia fria
do sem sentido e do descaso.
Que mais do que a violência dos que despertam
e o ácido da ironia dos que sonham acordados
pode conter tal estado?
Para só com a pronta resposta dada
e a conquista do justo resultado
fazer a nau dos ultrajados
deitar armas ao lado,
apontando a proa ao porto,
deixando as águas revoltas
no rastro da popa.
Eliseo Martinez
02.12.2019
Quando
Quando...
nos vemos do outro lado do espelho;
o que nossos olhos veem
ameaça crentes do rebanho inteiro;
o que falamos soa estrangeiro
dentro das fronteiras de nossa gente;
o que sentimos e nos é caro
destina-se ao ralo do pouco caso;
o que nos bate o coração,
não move irmãos caídos ao chão;
a intenção por trás do gesto
é facilmente turvada e o engodo
logo aceito como fato consumado;
as palavras já não servem para nada
e as ideias, de antemão, deturpadas;
a verdade nada mais é do a conveniência
dos dominantes sobre os dominados
e a liberdade uma marca do mercado
a ser negociada...
mais um ciclo da existência humana
ensaia seu ocaso, exaurido na folia fria
do sem sentido e do descaso.
Que mais do que a violência dos que despertam
e o ácido da ironia dos que sonham acordados
pode conter tal estado?
Para só com a pronta resposta dada
e a conquista do justo resultado
fazer a nau dos ultrajados
deitar armas ao lado,
apontando a proa ao porto,
deixando as águas revoltas
no rastro da popa.
Eliseo Martinez
02.12.2019
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