271.
Quando
Quando...
nos vemos do outro lado do espelho;
o que nossos olhos veem
ameaça crentes do rebanho inteiro;
o que falamos soa estrangeiro
dentro das fronteiras de nossa gente;
o que sentimos e nos é caro
destina-se ao ralo do pouco caso;
o que nos bate o coração,
não move irmãos caídos ao chão;
a intenção por trás do gesto
é facilmente turvada e o engodo
logo aceito como fato consumado;
as palavras já não servem para nada
e as ideias, de antemão, deturpadas;
a verdade nada mais é do a conveniência
dos dominantes sobre os dominados
e a liberdade uma marca do mercado
a ser negociada...
mais um ciclo da existência humana
ensaia seu ocaso, exaurido na folia fria
do sem sentido e do descaso.
Que mais do que a violência dos que despertam
e o ácido da ironia dos que sonham acordados
pode conter tal estado?
Para só com a pronta resposta dada
e a conquista do justo resultado
fazer a nau dos ultrajados
deitar armas ao lado,
apontando a proa ao porto,
deixando as águas revoltas
no rastro da popa.
Eliseo Martinez
02.12.2019
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