276.
Dissolvido
Neste espaço reservado
a escritos do eu,
o privado é um vaso trincado
que me vaza pelo chão já molhado
dos que vieram antes de eu,
por aqui, ter passado.
Do corpo liquefeito,
imerso no hemisfério
das febres de dezembro,
persiste o cego instinto
e a voz já quase inaudível,
desapossada de si, somada
a torrente dos murmúrios
presos à pele do tempo.
Como gota de rios de gente,
consciente do pouco já feito,
resignado da parte sem jeito,
sem jamais permitir desistir,
me dissolvo no fluxo da corrente,
para apenas des-existir para sempre.
Eliseo Martinez
16.12.2019
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