272.
Lá se vai...
Mais para coisa outra
do que parte de coisa toda,
de mãos vazias
e bolsos com coisa alguma,
traz na manga um par de ases
para cobrir possível desventura.
Lá se vai o gajo
de hálito avinhado
e olhar aparvalhado,
no andor do passo gingado,
à busca sabe-se lá do quê.
Já que não é de deus,
será do diabo ou do saci-pererê?
Quem se importa?
Talvez nem mesmo ele.
Ou apenas procure,
por entre as pedras da calçada,
palavras afiadas,
que são serpentes
de línguas bifurcadas.
Eliseo Martinez
03.12.2019
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